quinta-feira, 25 de setembro de 2008

Não Afoguem as Ilhas do Paraíba

A falta de consciência na utilização dos recursos hídricos no vale do Paraíba chegou a um ponto crítico. Além da devastação ambiental resultante do crescimento urbano descontrolado e o abandono da região noroeste do estado do Rio pelas políticas públicas, grandes corporações, aproveitando-se da carência das comunidades ribeirinhas, vêm explorar ainda mais sob a bandeira de um falso desenvolvimento, justificando a extinção do maior arquipélago fluvial do Estado do Rio de Janeiro (Domínio das Ilhas Fluviais) com argumentos de geração de emprego e renda inconsistentes, comprometendo a integridade desse importante recurso hídrico.

A construção de 3 hidrelétricas (Itaocara, Barra do Pomba e Cambuci) no rio Paraíba do Sul ocasionará impactos irreversíveis a fauna e a flora da região, o que afetará diretamente as comunidades tradicionais que estão ligadas a pesca. Espécies ameaçadas de extinção, como o cágado-do-Paraíba (Mesoclemmys hogei), único quelônio de água doce brasileiro ameaçado de extinção; as espécies de peixes piabanha (Brycon insignis), o surubim-do-Paraíba (Steindacheneridion parahybae) (endêmico da bacia hidrográfica do rio Paraíba do Sul), o caximbau-boi (Pogonopoma parahybae) e o crustáceo lagosta-de-São Fidélis (Macrobachium carcinus), que ainda ocorrem no Domínio das Ilhas, estarão comprometidas. Tais ocorrências ainda são possíveis, pois ainda existe um significativo trecho do Rio ainda não interrompido por barragens hidrelétricas que possibilitam assim, áreas de alimentação, abrigo e reprodução para estas espécies. Este importante trecho contínuo, ou seja, não fragmentado, está situado entre a Usina Hidrelétrica Ilha dos Pombos, em Além Paraíba – MG, e a foz do rio Paraíba do Sul, em São João da Barra – RJ, perfazendo um total de 250 quilômetros lineares de trecho ininterrupto. Uma vez fragmentado, ocorrerá um significativo desarranjo na composição da fauna aquática o que comprometerá a sobrevivência de muitas espécies vegetais e animais.

Uma das justificativas para esse impacto ambiental será a geração de emprego para as comunidades da área de influência dos empreendimentos. Vale ressaltar que tais empregos não serão disponibilizados todos ao mesmo tempo, mas sim, de forma escalonada respeitando o cronograma de execução das obras. Uma vez em operação, serão disponibilizados apenas 20 a 30 empregos, por empreendimento, sendo os demais trabalhadores dispensados, voltando tudo a estaca zero.

Terminado o período das grandes contratações terá sido estratégico sacrificar o emprego de vários chefes de família ligados a pesca artesanal em função da geração de uma pequena quantidade de energia elétrica? Se considerarmos o contingente de pescadores dos municípios fluminenses Carmo, Cantagalo, Santo Antônio de Pádua, Itaocara, Aperibé, Cambuci e São Fidélis, e dos municípios mineiros Pirapetinga, Volta Grande e Estrela Dalva serão aproximadamente 600 pescadores, que vivem parcialmente e integralmente do pescado, que terão suas receitas drasticamente diminuídas. Trocar 600 empregos ligados à pesca por 60 empregos especializados ligados ao setor elétrico: será esta a matemática socioambiental que resolverá os problemas da região noroeste fluminense? Será este o modelo de sustentabilidade que precisamos para o Norte e o Noroeste do Estado do Rio de Janeiro?

Além do desaparecimento das espécies animais, da flora e da pesca artesanal, será extinta uma das mais belas paisagens do rio Paraíba do Sul: as corredeiras com suas belas ilhas fluviais. A beleza natural deste trecho, tem um potencial turístico imenso, até então não explorado.

Visando impedir uma atrocidade ambiental dessa magnitude a Rede de Ongs da Mata Atlântica está lançando a campanha “Não afoguem as ilhas do Paraíba”, uma iniciativa que pretende impedir a construção dessas barragens, para preservar a fonte de renda das comunidades e garantir a sobrevivência das espécies de fauna e flora da região.

Não podemos deixar que destruam este patrimônio natural nacional. Temos que impedir que afoguem as ilhas do Paraíba.

5 comentários:

Val disse...

eu assinei também. Ví numa comunidade do orkut.

Joao Noronha disse...

Como jornalista e ativista ecológico sou totalmente contra a construção de hidsrelétricas no Paraíba. Essas usinas não podem continuar causando tanta destruição, como a que vem ocorrendo há mais de 30 anos em Atafona, na foz do rio em São João da Barra. Precisamos que as empreendedoras e a Aneel apresentem o EIA/Rima da foz e não em trechos onde serão construídas as barragens. João Noronha

david disse...

Isso é simplesmente um absurdo,pois existem tantas formas de energias renováveis.não temos que alagar nada só para podermos receber luz em nossas casas.
Alem de pensarmos na vida dos animais que habitam aquela ária.
Na minha opinião os homens são muito egoístas e egocêntricos mais eu digo algo:

Quando os peixes morrerem as matas desmatadas e os animais estiverem extintos o homem vai notar que não da para comer dinheiro.

Fernando disse...

Assinei o manifesto porque creio que a preservação do ambiente e o respeito às populações locais é fundamental. Mas acho que o texto deveria enfatizar e debater com o governo outras formas de geração de energia e o aproveitamento da produção eletrica existente(com investimentos na modernização de usinas e redes de transmissão de energia), pois acho que a questão de fundo é esta, para o governo e para a sociedade.

Alencar Marcos disse...

Bom dia! Segue link de reportagem da record, onde mostra crime ambiental no rio Paraíba do Sul, prejudicando 11 milhões de pessoas na cidade do Rio de Janeiro.
http://noticias.r7.com/videos/desmatamentos-acabam-com-mais-de-200-km-de-vegetacao-nativa-em-sp/idmedia/52a8ee850cf218f0319af93b.html
Jornal da Record do dia 11/12/2013 mostra denúncia de crime ambiental em Guaratinguetá através da ONG AGUA (Ambientalistas de Guaratinguetá) e Movimento Revelia. A matéria mostra extração irregular de areia na ilha do Ingá, supressão e ocupação de área de preservação permanente próxima ao anel viário Mário Covas e destruição de mata protegida pelo Código Florestal e classificada como intocável em frente ao shopping Buriti. De tal magnitude e gravidade os crimes contra o meio ambiente, que pudemos mostrar em rede nacional e horário nobre a degradação do rio Paraíba do Sul e sua mata atlântica. ONG AGUA (AMBIENTALISTAS DE GUARATINGUETÁ SP) Link https://www.facebook.com/pages/Ambientalistas-De-Guaratinguet%C3%A1/1391321331087930